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Diagnóstico Precoce Preserva Fertilidade e Evita Cirurgias
Saiba Por Que o Diagnóstico Ainda Demora Tanto no Brasil
Entenda os sinais de alerta, os impactos na fertilidade e porque a dor menstrual intensa nunca deve ser considerada normal.
A endometriose é uma condição silenciosa que afeta aproximadamente 1 em cada 10 mulheres em idade reprodutiva no Brasil, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS). Apesar de sua alta prevalência, a jornada até o diagnóstico definitivo é longa: estudos indicam que uma paciente pode levar, em média, de 7 a 10 anos para descobrir a doença. O principal motivo? A perigosa normalização da "cólica forte".
Afinal, o que é a endometriose?
De acordo com o Dr. Marcos Tcherniakovsky, ginecologista, especialista em endometriose e Diretor de Comunicação da Sociedade Brasileira de Endometriose (SBE), a doença ocorre quando o endométrio (tecido que reveste o útero internamente) se desenvolve fora da cavidade uterina.
“Durante o ciclo menstrual, esse tecido pode refluir pelas tubas uterinas e se alojar em órgãos como ovários, intestino, bexiga e peritônio. Isso gera uma reação inflamatória crônica, que pode causar desde desconfortos leves até aderências severas entre os órgãos”, explica o médico.
Os sinais de alerta que você não deve ignorar
Os sintomas da endometriose variam drasticamente entre as pacientes, mas alguns sinais são clássicos e exigem investigação imediata:
Dismenorreia intensa: Cólicas menstruais que não cedem com analgésicos comuns e impedem atividades rotineiras.
Dor pélvica crônica: Desconforto na região do baixo ventre que persiste fora do período menstrual.
Dispareunia: Dor profunda durante ou após as relações sexuais.
Sintomas cíclicos: Alterações intestinais (diarreia ou constipação) ou urinárias que pioram exclusivamente durante a menstruação.
Infertilidade: A dificuldade para engravidar é, muitas vezes, o sintoma que leva à descoberta da doença em casos assintomáticos.
“Muitas mulheres convivem com dores incapacitantes por anos acreditando ser algo comum do universo feminino. Precisamos desmistificar isso: dor que impede a mulher de trabalhar, estudar ou ter lazer não é normal”, alerta o especialista.
Quem está no grupo de risco?
A endometriose está intrinsecamente ligada à vida reprodutiva. Ela pode se manifestar desde a menarca (primeira menstruação) até a menopausa. Este intervalo, conhecido como menacme, é o período em que os hormônios femininos estimulam o crescimento do tecido endometrial, tornando a vigilância necessária em todas as fases da juventude e vida adulta.
A importância do diagnóstico precoce e multidisciplinar
Quanto mais cedo a doença é detectada, maiores são as chances de preservar a fertilidade e evitar cirurgias complexas. O diagnóstico moderno combina a avaliação clínica minuciosa com exames de imagem específicos, como a ultrassonografia com preparo intestinal ou a ressonância magnética voltada para o mapeamento de endometriose.
O tratamento é individualizado e pode envolver:
Abordagem Multidisciplinar: Suporte nutricional (dieta anti-inflamatória), fisioterapia pélvica e acompanhamento psicológico.
Intervenção Cirúrgica: Realizada via laparoscopia ou robótica em casos de lesões profundas ou quando o tratamento clínico não é suficiente.
“O objetivo final é devolver a qualidade de vida à paciente. Com o acompanhamento correto, é perfeitamente possível controlar a dor e realizar o sonho da maternidade, se esse for o desejo da mulher”, conclui o Dr. Marcos Tcherniakovsky.
Dr. Marcos Tcherniakovsky – Ginecologista e Obstetra – Especialista em Endometriose e Vídeo-endoscopia Ginecológica.
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