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Como Controlar a sua Compulsão: Compulsão por jogos, sexo, redes sociais, descubra causas, como tratar e curar

 

 

Você sente que perdeu o controle, não consegue parar de comer, jogar, sair das redes sociais ou outros comportamentos? Psiquiatra revela como identificar a compulsão e quais são os caminhos para uma vida equilibrada.

 

Você já se viu preso em um ciclo de comportamentos repetitivos que trazem alívio momentâneo, mas depois deixam um rastro de culpa, arrependimento ou sofrimento? Essa é a essência da compulsão, um fenômeno complexo onde o indivíduo perde o controle sobre suas ações, mesmo ciente dos prejuízos. Não se trata de uma simples "vontade", mas de um impulso irresistível que, com o tempo, pode dominar a vida.

 

A psiquiatra Dra. Maria Fernanda Caliani explica: "É como se o cérebro criasse um atalho para fugir da dor emocional. Só que esse atalho, com o tempo, deixa de funcionar e vira um labirinto." Essa metáfora ilustra bem a dinâmica neurobiológica por trás da compulsão. Estudos apontam que comportamentos compulsivos ativam o sistema de recompensa do cérebro, liberando neurotransmissores como a dopamina, que geram prazer e alívio. No entanto, com a repetição, o cérebro se adapta, exigindo cada vez mais do comportamento para atingir o mesmo nível de satisfação, criando um ciclo vicioso e disfuncional. A disfunção em áreas do córtex pré-frontal, responsáveis pelo controle de impulsos e tomada de decisões, também contribui para a dificuldade em interromper esses ciclos.

 

 

Compulsões Mais Comuns na Atualidade

 

Embora o conceito de compulsão seja estudado há décadas, o cenário social atual intensifica os gatilhos. "Vivemos em um tempo de recompensa imediata. Tudo é rápido, disponível, digital. Isso alimenta um sistema cerebral que busca dopamina a qualquer custo, mesmo que isso signifique prejuízo financeiro, isolamento social ou desgaste emocional", ressalta Dra. Maria Fernanda.

 

 

As compulsões podem se manifestar de diversas formas, sendo as mais comuns:

 

Compras Excessivas: Impulso incontrolável de comprar, muitas vezes itens desnecessários, gerando dívidas e problemas financeiros.

 

 

Compulsão Alimentar: Comer grandes quantidades de comida em um curto período, mesmo sem fome física, acompanhado de sensação de perda de controle e culpa.

 

 

Uso Problemático de Redes Sociais e Celulares: Dificuldade em controlar o tempo gasto online, com prejuízos para a vida pessoal e profissional.

 

 

Compulsão Sexual: Padrões de comportamento sexual impulsivos e repetitivos que causam sofrimento ou prejuízo.

 

 

Jogos de Azar e Apostas Online: Vício em jogos de azar, com perdas financeiras significativas e impacto devastador na vida.

 


Como Saber se é Compulsão? Sinais de Alerta

 

A linha entre um hábito e uma compulsão é tênue, mas o sofrimento é o principal indicador. Segundo a psiquiatra, alguns sinais de alerta importantes são:

 

 

Sentir que perdeu o controle sobre o comportamento, mesmo tentando parar.

 

 

Tentar diminuir ou parar o comportamento repetidamente, sem sucesso.

 

 

Esconder o que faz ou sentir vergonha e culpa após o ato.

 

 

Experimentar prejuízos significativos na vida pessoal, profissional ou familiar devido ao comportamento.

 

 

Usar o comportamento como uma forma de "anestesiar" emoções difíceis, como ansiedade, tristeza ou estresse.

 

 

"A chave para diferenciar uma vontade comum de uma compulsão é o sofrimento envolvido. Se causa dor, culpa, arrependimento ou isolamento, é hora de procurar ajuda", enfatiza Dra. Maria Fernanda Caliani.

 


Existe Tratamento? Caminhos para a Recuperação

 

Sim, o tratamento para a compulsão é possível e vai muito além de simplesmente "parar de fazer". É um processo multidisciplinar que visa entender as raízes do comportamento, desenvolver novas estratégias de enfrentamento e promover uma vida mais equilibrada.

 

 

As principais abordagens incluem:

 

Acompanhamento Psiquiátrico: Um psiquiatra pode avaliar a necessidade de medicação para auxiliar no controle dos impulsos, reduzir a ansiedade ou tratar condições coexistentes como depressão ou Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC). Medicamentos como inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS) são frequentemente utilizados para modular os neurotransmissores envolvidos nos circuitos de recompensa e controle.

 

 

Psicoterapia: É a base do tratamento.

 

Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC): Considerada o padrão-ouro, a TCC ajuda o indivíduo a identificar os gatilhos, a reestruturar pensamentos distorcidos que alimentam a compulsão e a desenvolver habilidades de enfrentamento saudáveis. O foco é na mudança de padrões de pensamento e comportamento.

 

 

Terapia Dialética Comportamental (DBT): Útil para pessoas com dificuldades na regulação emocional, a DBT ensina habilidades para lidar com emoções intensas sem recorrer a comportamentos compulsivos.

 

 

Grupos de Apoio: Participar de grupos como Jogadores Anônimos, Comedores Compulsivos Anônimos ou outros grupos específicos para a compulsão em questão oferece um ambiente de apoio, compartilhamento de experiências e estratégias de recuperação com pessoas que enfrentam desafios semelhantes. A troca e o senso de comunidade são terapêuticos.

 

 

Mudanças no Estilo de Vida: Adotar hábitos saudáveis é fundamental. Isso inclui:

 

 

Identificação e Gestão de Gatilhos: Aprender a reconhecer situações, emoções ou pensamentos que desencadeiam a compulsão e desenvolver estratégias para lidar com eles.

 

Técnicas de Relaxamento: Meditação, mindfulness, yoga e exercícios de respiração podem ajudar a gerenciar a ansiedade e o estresse.

 

Atividade Física Regular: Contribui para a regulação do humor e a redução da impulsividade.

 

Alimentação Equilibrada e Sono Adequado: Fundamentais para a saúde mental e física.

 

Desenvolvimento de Hobbies e Interesses: Encontrar novas fontes de prazer e propósito que não estejam ligadas ao comportamento compulsivo.

 

"É possível, sim, ter uma vida equilibrada mesmo convivendo com a tendência à compulsão. Mas o primeiro passo é reconhecer que há um problema. E tudo bem pedir ajuda, isso é sinal de coragem, não de fraqueza", finaliza Dra. Maria Fernanda. A recuperação é um processo contínuo que exige autocompaixão e persistência.

 

Por Redação Bemzen

e-mail: [email protected]

 

 

 

 

 

 

 

Fontes Consultadas:

Dra. Maria Fernanda Caliani: Psiquiatra, especialista em compulsões. (Informações citadas no texto original).

American Psychiatric Association (APA): Manuais Diagnósticos e Estatísticos de Transtornos Mentais (DSM-5).

Beck, Aaron T.; Rush, A. John; Shaw, Brian F.; Emery, Gary: Terapia Cognitivo-Comportamental da Depressão. Artmed, 1979. (Referência clássica para TCC).

Linehan, Marsha M.: Cognitive-Behavioral Treatment of Borderline Personality Disorder. Guilford Press, 1993. (Fundamento da DBT).

Artigos científicos: Pesquisas em periódicos como Journal of Clinical Psychiatry, Addiction, Frontiers in Psychology sobre mecanismos neurobiológicos e eficácia de tratamentos para transtornos de controle de impulsos e vícios

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